terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Capítulo 26

Voltamos!!

Eu ia tentar mudar o layout antes de uma nova postagem, porém isso faria demorar mais ainda voltar a colocar um novo capítulo e achei que iriam querer me matar.

Uma amiga minha muito talentosa fez um desenho maravilhoso e perfeito da Mira e do Matthew. Coloquei ao lado para quem quiser ver e também ao final do post. Dani, ficou perfeito!! *__*

Bom, acho que querem mais um novo capítulo do que palavras minhas ;)

Beijões

Jujub

P.S. Não esqueçam nosso comentário :D

*****
Matthew POV

Quando eu acordei naquela manhã, eu fiquei pensando em tudo que havia acontecido conosco nos dias anteriores. O ciúme tolo que eu tive do jovem Vesgo, que procurava minha (e sim, agora posso chama-la corretamente de minha!) Mira para aconselhá-lo sobre outra. Os desencontros. As discussões. E o beijo naquela rua escura sob a luz do luar, a caminho da estalagem, após um fatídico baile, na noite anterior.

Soava quase como um sonho, mas eu sabia que não, não era.

E ela é tudo que eu sempre quis: é a mulher perfeita para me acompanhar durante a estrada. No entanto, à luz da manhã, eu começava a ter minhas dúvidas. Será que ela sabia exatamente o que estava fazendo? Ou estava apenas seguindo um capricho de um coração de menina? Ela realmente gostava de mim? Ela sequer dissera aquilo, mas eu, como um apaixonado, já me fizera acreditar que, sim, ela me amava tanto quanto eu a amava.

Sim, eu amava Mira Barlow.

Não sei quando exatamente aquilo aconteceu, mas a realização do fato me deixou estatelado na cama, pensando no quão profundo meus sentimentos eram por ela e no quanto ela poderia simplesmente esmigalhar meu coração se, depois desse beijo, ela dissesse o contrário.

Eu poderia, é claro, difama-la e obriga-la a ficar comigo do mesmo jeito, mas eu a amava verdadeiramente, como o amor é aos olhos do Senhor, e quero que ela seja minha porque assim o quer, não porque assim eu a obrigo.

Meu coração apertou-se com a possibilidade da noite anterior ter sido um erro. Um erro. Será? Para mim, um erro, com certeza. E ela... bom, eu sou Matthew de Aldearan, o grande esgrimista de meu tempo, a quem acompanhará o anjo Miguel no dia do julgamento, como seu braço esquerdo. Ou assim, eu penso e acredito com toda a fé que me cabe.

Mas eu sou velho.

Eu já tenho 26 anos de idade e meu braço direito me deixou praticamente um inválido. Se não fossem a bondade e admiração que me tem os mestres de Hogwarts, eu seria pouco mais que um ninguém.

E ela merece mais do que isso. Ela merece alguém jovem. Alguém para ser feliz com ela durante mais tempo do que eu serei. Alguém que traga honra, orgulho e glória e que ela possa vê-lo conquistar todas essas coisas. Não alguém que viva de um passado que ela não conhece.

Mira Barlow merece alguém que seja tolamente apaixonado, que fique de cabeça para baixo pendurado numa árvore para que ela ria, que pule de um telhado alto para que pense que é corajoso e que cometa atos estúpidos para que ela se preocupe e depois venha lhe curar as feridas, percebendo-se assim, apaixonada.

E eu sou velho demais para isso.

A luz da manhã é cruel aos meus olhos. A noite me aninhou confortavelmente no sonho de viver o resto de minha vida com ela, mas a claridade me diz que eu devo deixa-la entender muito bem o que está escolhendo.

Eu ainda não posso pedir sua mão em casamento, não até que ela tenha certeza absoluta do que está preterindo.

Existem outros. Talvez não tão bons quanto eu, mas, certamente, ótimos e jovens. Não é, também, como se a sociedade fosse achar muito estranho que ela case-se com um homem mais velho. Acontece o tempo todo, mas, geralmente, a noiva dificilmente está feliz com isso.

Ela se apaixonar por um homem mais velho? Aí está um grande perigo e um motivo para mal falarem minha menina. Eu poderia suportar aquilo? Não sabia.

Então, quando todos se levantaram, eu fui até o ponto de encontro onde nos reuniríamos antes da partida. Ao vê-la, novamente, perdi o fôlego: ela estava estonteante e seu sorriso, que eu sabia que ela o dava generosamente apenas para mim, me deixou sem ar.

- Bom dia, professor. – cumprimentou-me minha colega de corpo docente, Hostilia Gryffindor, e eu retribui respeitosamente seu aceno.

Eu precisava dar um jeito de conversar com Mira. Não sei por quanto tempo eu conseguiria sobreviver a ilusão. Se ela fosse me rejeitar, que fosse o mais breve possível.

Não notei que as pessoas ao meu redor estavam conversando.

- Lady Barlow, acho que deverias pedir ao professor Aldearan para ajudá-la em sua tarefa.

- Hm, professor, eu preciso de ajuda. Não posso, hm, não consigo, hm, Scadufax, hm... – Mira tentou falar, olhando para mim, encabulada. Percebi que ela estava tentando esconder que estava vermelha.

- O que a jovem quer dizer, professor, - Ajudou Hostilia, vendo que sua aluna estava encabulada ao falar com um homem, e aprovando sua atitude retraída – é que está com problemas com a montaria dela e gostaria que o senhor fosse ajudá-la a trazer o cavalo para o grupo.

- Entendo. – Eu falei sem entender nada. Scadufax? Desobedecer sua dona? Até parece. Era mais fácil Mira obedecer Hostilia Gryffindor. Aquilo me deixou um pouco perplexo e eu fiz sinal para que a jovem me seguisse. – Trocken, assuma o comando das preparações para partida. Irei resolver o problema e volto assim que puder.

Os olhos do rapaz brilharam. Ele era um bom moço. Um rapaz promissor, de futuro brilhante na carreira como esgrimista. Ele era mais do que excelente, era, provavelmente, meu melhor pupilo. Junto com Mira, que, estava ao meu lado, tentando não me encarar.

Quando ficamos distantes o suficiente do grupo e fora de seu campo de visão, eu preparei-me para conversar com ela.

- O que foi isso? – eu perguntei, com a eloqüência fugindo-me mais do que o comum.

- Queria de falar a sós com ti e precisei arrumar uma desculpa. – Ela disse, sorrindo timidamente. – Foi o melhor que pude pensar.

- Fez bem. Precisamos mesmo conversar. – Eu disse, um pouco nervoso e sentindo minha mão tremer.

Não é hora para me falharem, nervos.

- Fales primeiro, professor. – ela disse.

- Pelo amor de Deus, me chame pelo nome. – eu retruquei.

E ela sorriu um pouquinho mais e meu coração se iluminou por um instante, até eu lembrar do que falaria para ela.

- Matthew. – ela falou devagar, saboreando a palavra. Soava muito melhor nos lábios dela do que nos de qualquer uma das mulheres com quem eu já havia me deitado. Talvez... não, não iria pensar naquilo agora.

Ela continuou:

- O que gostarias de conversar?

Então, eu contei para ela todos os pensamentos que tivera naquela manhã. De como ela deveria ficar com algum outro rapaz jovem, de como eu temia que ela não soubesse o tamanho da escolha que estava fazendo.

- Você merece um rapaz que seja tolamente apaixonado por você. Alguém que faça besteiras para lhe impressionar e espere que você ache que ele é corajoso. E eu não sou assim, eu sou velho demais para isso.

Eu terminei de falar com mais alguns dos fatos que havia decidido expor a ela e deixei que ela pensasse por um instante antes de lhe perguntar:

- Bem, o que tens a dizer? – E minhas mãos fecharam-se ao meu lado, com medo do que ela iria responder.

Mira respirou muito fundo. Deus, eu espero que ela não diga que não pode ficar comigo. Por outro lado, eu gostaria que dissesse que sim. Ou não. Não, definitivamente não. Minha força de vontade não era tão forte assim.

- Matthew... – ela começou, e sua voz estava com dor. – Não estás apaixonado por mim?

Eu virei o rosto surpreso e vi que o corpo dela se curvava um pouco, como se protegesse de algo que estava por vir. E percebi o quanto doeu para ela dizer aquilo, e eu me senti o maior estúpido do mundo por causar-lhe tanta dor. Eu queria abraça-la com força e beija-la.

- É claro que eu estou. – eu respondi, me contendo para não chama-la de tola. – É lógico que estou. Como eu não poderia estar? Eu... tenho sentimentos muito fortes por você.

E isso foi como eu tentei dizer a ela que a amava, mas de forma a não parecer apressado e idiota.

- Se sentes isso por que queres que eu escolha outra pessoa? – Eu via nos olhos dela que não havia acreditado totalmente no que falei sobre o que sinto.

- Eu quero ficar com ti, Mira. É o que mais desejo no mundo desde que eu te vi pela primeira vez. Eu só não sei se tu sabes o que isso significa. Eu sou velho. Eu sou praticamente inválido. Sou um homem com muitos inimigos e poucos amigos. Eu não sou jovem ou bonito. Mas eu preciso que sejas feliz. Mesmo que não seja comigo.

É mentira, Mira. Eu quero que você seja feliz, mas eu quero mais do que tudo que você seja feliz comigo. Respirei fundo e continuei.

- Não precisas me responder agora.

Virei-me para ela quando chegamos no estábulo e me coloquei na frente de seu cavalo.

- Eu tenho sentimentos muito fortes por ti, Matthew, para me importar com tudo isso que falaste. – Ela falou segurando uma das minhas mãos.

Eu a abracei.

- Tu sempre poderás mudar de idéia, não preciso da sua resposta agora. Eu... posso esperar. – Eu disse, suspirando. – Até lá, eu gostaria de ter sua companhia ao meu lado.

Ela virou a cabeça para cima e ficou me observando com aqueles olhos insondáveis. Então, quando eu menos esperava, ela levantou na ponta dos pés e me plantou um beijo leve nos lábios. Aquilo me pôs a ferver e eu novamente senti o quanto estava apaixonado. Meu coração disparou.

- Amo-te, Mira Barlow. – eu disse, baixinho, sem pensar, o que eu queria dizer a ela todo o tempo.

- Eu...

- Shh. Eu prefiro não ouvir agora. Quando tu tiveres certeza... – eu disse e a beijei de novo.

Depois da conversa, levamos Scadufax para o resto do grupo e eu tive que me lembrar de soltar sua mão ao chegarmos no campo visível. E quando ela se afastou, feliz, para a companhia de suas amigas, eu senti frio, como nunca havia sentido antes.

Porque ela era fogo, como aqueles cabelos ruivos, e eu era gelo, mas eu nunca tinha percebido isso até que ela chegasse perto o suficiente para me derreter por completo. Apenas para ela, apenas por ela.


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Um comentário:

Daniella disse...

Que bom que voltaram, agora estou ansiosa pelo que está por vir!!
E, novamente, fico muito feliz que tenha gostado do desenho, Ju.^^